sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Fortes sobrevivem à guerra e viram pontos turísticos


Fonte: Paula Pitta / Correio da Bahia

Defender a preservação da história e do patrimônio dos brasileiros é a nova função das fortificações

Forte São Marcelo renasce e abre suas portas para o público, recriando um clima de “brincadeira de pirata”.

Em um tempo onde as guerras não são mais travadas apenas no mar e, em vez de canhões, as armas são mais modernas e potentes, os fortes perderam sua função. E para não sumir entre os contos históricos e as lembranças dos mais velhos, as fortificações viram pontos turísticos. As estratégias de ataques também mudaram de bélicas para táticas de atração dos turistas e da população de Salvador, que ainda não despertaram para a riqueza cultural desses monumentos.

O Forte São Marcelo, conhecido como Forte do Mar e de Nossa Senhora do Pópulo, acabou de atentar para essa nova fase, onde as pessoas de outras nacionalidades não são mais expulsas, e sim, atraídas para o seu interior. Na contemporaneidade, os estrangeiros não são inimigos e recepcionados com tiros de pequenas armas ou canhões, eles são recebidos com "honras da casa" e os guias explicam sobre a história daquelas paredes de pedra. Essa é a nova rotina do São Marcelo, que abriu suas portas para visitação no dia 12 de novembro e começa a projetar algumas mudanças e reformas para recriar o clima de possíveis batalhas vividas naquele forte no meio da Baía de Todos os Santos.

Não existem museu ou exposição, apenas alguns canhões espalhados pelo gramado em frente ao monumento e alguns bancos de madeira, com desenhos feitos à mão. Fora isso, o turista pode apreciar a beleza da paisagem, que permite uma extraordinária vista da Baía de Todos os Santos, de Salvador e da Ilha de Itaparica. Essa falta de atrativo deve ser proposital para o visitante não desviar a atenção das histórias das batalhas combatidas nele, que foi tomado duas vezes pelos holandeses e uma vez pelo movimento da Sabinada.

Batalha contra o abandono

Das mais de dez fortificações que fizeram a proteção de Salvador, apenas quatro resistiram ao tempo, ao esquecimento e abandono. Apenas quatro fortes continuam "fortes" e imponentes, mostrando seu valor histórico e arquitetônicos. De portas abertas para o público, esses monumentos "contam" seus papéis durante o Brasil Colônia. Entre os sobreviventes, estão os já citados Forte Santo Antônio da Barra, mais conhecido como Forte do Farol, o Forte São Diogo, o Mont Serrat e o São Marcelo, recém-chegado para a lista.

A sobrevivência das histórias de proteção e batalhas está relacionada à descoberta de uma função para esses ilustres monumentos, como afirma o diretor presidente da Associação Brasileira dos Amigos das Fortificações Militares e Sítios Históricos (Abraf), coronel Anésio Leite. "Só resistiram ao descaso, abandono e depreciação as fortificações que têm um papel, como o Santo Antônio da Barra, que é um importante ponto turístico e guarda um museu. Os outros estão esquecidos e em estado precário de conservação. É necessário, portanto, descobri uma função para esses fortes", alerta Leite.





quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O Forte São Marcelo pede socorro


Na última segunda-feira, dia 02, à noite, na Pupileira, em Nazaré, o presidente da ABRAF (Associação Brasileira dos Amigos das Fortificações Militares e Sítios Históricos), o coronel reformado do Exército Anésio Ferreira Leite brindou os presentes com uma memorável conferência sobre o trabalho que a ONG que dirige vem realizando em favor da preservação das fortificações militares na Bahia, com especial ênfase na “joia da coroa”, o Forte São Marcelo, um dos raros exemplares com sua arquitetura, tão rico de episódios marcantes da nossa história, simpaticamente cognominado Umbigo da Baía de Todos os Santos.

O evento agradou desde a original entrega dos convites, feita por três jovens atores, impecavelmente vestidos com a farda alvirrubra dos Dragões da Independência, com capacete ornado de penacho multicor, não faltando os penduricalhos bélicos de estilo, como lanças e bacamartes. Ao receber o convite, decidi que não poderia faltar a evento que de pronto julguei promissor, a partir de tão cativante criatividade. Como todos os líderes comunitários e formadores de opinião que lá compareceram, senti-me largamente compensado pela decisão de fazer-me presente.

Depois de decênios de abandono, em que serviu, inclusive, de valhacouto de diversificada bandidagem, tráfico de drogas e prostituição, o Forte São Marcelo, desde o ano 2000, sob a gestão da ABRAF, incorporou-se ao universo de atrações da cidade do Salvador, como resultado da recuperação que o desonerou da ostensiva sujidade que o enfeava, da instalação ali de bar e restaurante, de loja de lembranças, como louça e artesanato regionais, bem como da exposição de peças e de registros gráficos, fotográficos e fílmicos relativos à saga do velho forte, construído no Século XVII.

Uma vez concluída, a duras penas, sua conclusão, com o concurso de empresas particulares e do setor público, sobretudo a Prefeitura de Salvador, o Forte recebeu, segundo afirma Anésio Ferreira Leite, entre 2006 e 2010, mais de trezentos mil visitantes, sendo cem mil estudantes. Números exponenciais que, por si mesmos, falam do significado da incorporação dessa vetusta fortificação ao lazer da Cidade Mãe do Brasil.

Ao longo dessa curta e bem- sucedida gestão, o Forte saiu de onde se encontra e visitou a cidade, com suas exposições em shoppings e museus, além da apresentação de momentos marcantes de nossa história, através de grupos teatrais, do mais alto valor educativo, como o que se exibiu na última segunda-feira, na Pupileira, com D. João VI e Carlota Joaquina muito bem caracterizados num impagável rapapé da corte.

Desgraçadamente, essa experiência vitoriosa encontra-se sob a ameaça de interrupção. De direito, aliás, interrupção já houve, uma vez que o Termo de Cessão de Uso do forte pela ABRAF venceu no dia 12 de julho último e até hoje o IPHAN não respondeu ao pedido de reconsideração da negativa que deu à prorrogação do Termo.

Dotado de espírito público, o Cel. Leite já bateu em todas as portas, ao pedir a ajuda do Presidente Nacional e do Superintendente local do IPHAN, respectivamente, Luiz Fernando de Almeida e Leonardo Falangola, do Prefeito João Henrique, do Governador Jaques Wagner, do Ministro da Cultura Juca Ferreira, da deputada Lídice da Matta e, até, do líder de opinião Mário Kértesz. Esforço vão. O IPHAN sequer se digna a marcar dia e hora para o recebimento formal do Forte, hoje dotado de alguns equipamentos que não podem ser largados ao deus-dará.

escrito por Joaci Góes ( Jornal Tribuna da Bahia)

http://www.tribunadabahia.com.br/news.php?idAtual=55313

terça-feira, 3 de agosto de 2010

ABRAF luta pelo Forte São Marcelo em 2010


A ABRAF (Associação Brasileira de Amigos de Fortificações Militares e Sítios Históricos) que desde 2006 mantém um trabalho cultural de revitalização do Forte São Marcelo, em Salvador com museu, programas educativos, exposições e eventos abertos ao público, estão prestes a suspender todas essas atividades se não houver renovação do termo de cessão do patrimônio com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, órgão responsável pelo monumento.

O trabalho desenvolvido pela ABRAF no Forte São Marcelo é considerado inédito e referência para a revitalização de antigas fortificações militares em outros países. Contudo, as atividades que mantém aberta à visitação pública o monumento histórico estão ameaçadas de serem suspensas em breve, já que o prazo termo de cessão de uso do imóvel por dez anos pela ABRAF, assinado em 13 de julho de 2000 esta prestes a expirar. Segundo o diretor presidente da ABRAF, Anésio Ferreira Leite, “o IPHAN já está cobrando a devolução do imóvel, além de ter manifestado que não pretende renovar o termo de cessão de uso da fortificação”.

O dirigente da ABRAF, que recentemente enviou uma correspondência à deputada federal Lídice da Mata (PSB), relatando a situação e pedindo o apoio da parlamentar para permanência da entidade no Forte São Marcelo, disse que, também já recorreu, sem êxito até agora, ao prefeito de Salvador João Henrique Barradas Carneiro, ao governador Jaques Wagner e até ao ministro da Cultura Juca Ferreira.

No documento enviado à parlamentar baiana, Anésio explicou que a ABRAF pretende para esse novo período de renovação, continuar com o Projeto Arte Forte, realizado em parceria com a Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer do Município do Salvador, estendendo-o à Secretaria de Educação do Estado da Bahia. A ABRAF ainda segundo o relato do diretor presidente pretende também firmar com a Universidade Federal da Bahia, convênios nas áreas de dança, música e teatro para que o forte funcione como uma extensão da Universidade, um campus avançado.


O Forte São Marcelo foi aberto à visitação em março de 2006, com museu, restaurante, cantina, exposições temporárias e espaços para eventos. Desde abertura para o público, 300 mil pessoas já visitaram o local, sendo que 100 mil foram de estudantes, conforme dados da ABRAF. A entidade criou o Núcleo de Interpretação do Patrimônio, encarregado do resgate do patrimônio imaterial da nação brasileira. O museu do Forte São Marcelo também desenvolve atividades fora da estrutura física do patrimônio, participa do desfile no 7 de Setembro, no 2 de Julho, participa de eventos sociais, culturais e religiosos.

Fonte: Alzira Costa ( Jornalista /CACHOEIRA-Ba) Maio 2010

Tour Náutico é opção no Forte São Marcelo


Turistas e moradores de Salvador contam agora com uma nova opção de lazer na cidade. O passeio é realizado na Caravela Príncipe Regente.

“O modelo da embarcação lembra as caravelas quinhentistas, da época do descobrimento”, afirma o coronel Anésio Leite, presidente da Associação Brasileira de Amigos das Fortificações Militares e Sítios Históricos (Abraf), responsável pela revitalização do Forte de São Marcelo.

A Caravela sai do Terminal Náutico da Bahia, em frente ao Mercado Modelo, e passa pelo Farol da Barra, Baía de Todos os Santos, Forte Monte Serrat até o Forte São Marcelo. O passeio na embarcação dura aproximadamente duas horas.

“Temos a preocupação com o resgate histórico. Isto vai sempre estar inserido no passeio. A nossa intenção é estimular o turismo cultural na cidade de Salvador”, diz Leite.

O Tour Náutico custa R$ 35 por pessoa. Para os próximos meses existe a previsão de lançar o passeio noturno. “A intenção é promover um luau em alto-mar, com música e comida, mas sem perder do foco a valorização do patrimônio histórico”, afirma.

Fonte: G1 São Paulo